Amor, o sentimento mais superestimado de todos, alguns fingem que ele se instala no coração, outros realmente acreditam que é um instinto... Bobagem.
O amor é simples, um sentimento que qualquer criança domina, qualquer animal irracional domina e qualquer homem de meia idade consegue tornar numa coisa mais complexa que aramaico em braile.
Amor é levar uma flor colhida no meio do caminho, elogiar o cabelo e sorrir sincero. Amor é respirar fundo, amarrar os problemas num saco preto dentro do estômago e dizer um agradável "Estou bem, só um pouco cansado". Amor é ensinar a tática para fazer a curva fechada no Mario Kart.
Amor é simples, envolve gestos simples, mentiras protetoras e compartilhar técnicas específicas sobre algo que é fútil e, ao mesmo tempo, a coisa mais importante do mundo naquele instante.
Agora lembre-se sempre que Amor é querer. Amor é mentir. Amor é compartilhar.
Se você não quer você não ama. E não complique isso. Você pode amar sem querer passar o fim de semana na casa da sogra. Você pode amar sem gostar do mesmo tipo de música. Você pode até amar sem querer ter um cachorrinho em casa.
Mas ninguém vai te amar se você não gostar de cachorrinhos, ou de qualquer filhote... Droga, o que há com você? Eles são fofos e provam que nascemos sabendo amar e ser amados.
Repito, o amor é simples.
Amar envolve mentir, invariavelmente, por causas nobres.
A mentira mutante, aquela sobre a décima-nona prova de roupa. "Ficou demais, eu estou até com vontade de tirar essa sua roupa agora." Você vai perceber que quando receber de volta um sorriso malicioso de gratidão sua mentira se transformará numa verdade.
A mentira que protege, seus pés doem, sua cabeça lateja, suas costas parecem carregar uma mamute prenha, mesmo assim você consegue resumir seu dia com um "Foi meio cansativo, mas depois de um banho estarei renovado".
A mentira cotidiana, aquela salvadora. "É claro que adorei sua mãe".
Como dizem, a ignorância é uma benção.
Amar também é compartilhar, afinal jogar super-nintendo é uma arte perdida e devemos manter o legado. O esquema é virar dando saltos que a curva sai mais fechada e aumenta o giro do motor, dando um pouco mais de potência.
E agora a causa da demora em se arrumar não é apenas escolher a roupa perfeita, é difícil passar a fase do Bowser de primeira e não é desistindo que melhoramos no Kart.
Afinal, quem se importa se numa recepção social formos vestidos com camisa surrada, tênis converse e cabelo seco?
Amar é compartilhar vitórias, derrotas, crises de raiva e de paciência.
Amar é simples.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
PROXIMIDADE ÁLCOOL/RELIGIÃO: As oferendas
À reestreia do Canis Familiares, um ensaio de 2007, coisa dos estudos durante o Mestrado:
Na cultura do povo Inca, o Amauta é o filosofo, sabedor, testemunha dos
tempos desde a criação do mundo! Não lhe agrada qualquer menção em chamá-lo de
feiticeiro. Esse era o título de Ñauparruna, personagem do romance boliviano
Manchay Puytu: el amor que quiso ocultar Dios.
Petrópolis, 6 de março de
2007.
Parte 2
Na cultura do povo Inca, o Amauta é o filosofo, sabedor, testemunha dos
tempos desde a criação do mundo! Não lhe agrada qualquer menção em chamá-lo de
feiticeiro. Esse era o título de Ñauparruna, personagem do romance boliviano
Manchay Puytu: el amor que quiso ocultar Dios.
Inti é o Deus-Sol e Killa a deusa-Lua, irmã e esposa do Sol. Quando o
povo quéchua funda seu Império, o seu representante maior é o filho do Sol: o
Inca. E seus súditos, os Incas. O Amauta vêm desde a criação do mundo, é
descendente dos Gigantes.
Numa analogia com a mitologia grega, que é a mais estudada pelo ocidente
(ainda, infelizmente), os Gigantes queriam o poder de Deus, o Pachacámaj.
Subjugavam todas as tribos e construíam monumentos, quartéis, templos e
moradias tão grandes que acreditavam se equiparam ao grande criador. Até aí,
tudo bem, Pachacámaj os deixava na grande ilusão de poder. Entretanto, a partir
do momento que os Gigantes não levavam suas esposas quando invadiam as tribos,
estimulando a relação sexual homem-a-homem, e por isso, impedindo a procriação,
o grande deus acabou com essa empáfia e despejou uma tempestade de fogo sobre
as aldeias.
A geração de Gigantes foi dizimada, a não ser um, que ousou ainda mais em
sobreviver ante a fúria do Deus. Este sobrevivente haveria de ser punido, não
com a morte, mas com a semelhança física de seus ex-subjugados, ou seja, ser
transformado em ser humano e viver para sempre. Sua missão: alertar aos homens
que não poderiam mais ousar contra o poder divino. Testemunha dos tempos e do
sofrimento dos povos, o Amauta.
Ñauparruna dizia que para saber o futuro tinha que ver o passado. Aí que
está nosso foco etílico nesse pequeno artigo: como é que eles se lembravam do
passado e da vontade dos deuses em relação à pessoa que iria buscar a verdade
com ele?
Através (literalmente) de boas doses de aguardente de milho e da chicha,
uma bebida fermentada também do milho e de outros cereais! Juntando as sorvidas
da birita com a disposição das folhas de coca sobre um tecido chamado phullu, o
passado da pessoa explicaria o que estava reservado para sua alma nos próximos
dias.
Quando a personagem do romance, María Cusilimay, vai a Ñauparruna para
saber os motivos de seus infortúnios e sofrimentos, depara-se com o velho sábio
em sua caverna, soturno e concentrado. Bastou um olhar dele para que ela
percebesse o que estava faltando, além de não cumprimentá-lo educadamente. Sem
coca nem aguardente, um risco. Pediu perdão ao sábio, mas as coisas não pareciam
boas para a desamparada María.
As oferendas são fundamentais para a sabermos a opinião dos mais
sensíveis, dos gurus espirituais. Ainda mais se nós tivermos fé!
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Desmitificando os Poréns
Meu caro leitor, se você esperava um post voltado aos ensinamentos sobre a língua portuguesa, vai se decepcionar. Na verdade, aqui quero escrever sobre o sentido menos literal da palavra, que lhe dá o sentido das intempéries que cotidianamente andam de mãos dadas com o nosso caminhar.
Construir, desconstruir;
Legislar, revogar;
Amar, odiar;
Criar, destruir; etc.
Paradigmas simples, com certeza, mas que por trás nos revelam um dos maiores enigmas do ser humano: suas inconstâncias.
Quem somos nós, que definimos sem precisão os nossos rumos a todo momento? E mesmo quando buscamos tal delineamento, por que ainda assim percebemos que ele não é tão direto e certeiro? Sempre me vejo pensando sobre isso.
O direito é um grande exemplo para esse tema. Isso porque a jurisprudência nada mais é do que uma coletânea miscigenada de julgados dos mais diversos juízes e tribunais existentes em nosso país, e ela é sempre difusa, nos apresentando os mais variados entendimentos sobre todo e qualquer assunto.
São inúmeras as palavras, e nem sempre as contextualizações são videntes da próxima geração dos estatutos. E quem disse que a geração anterior deveria ter acabado? Quem define isso para nós? Quem é que, afinal de contas, gosta de brincar de ser Deus?
Eu defendo a tese de que o ser humano reconhece implicitamente as suas limitações ao tentar criar para si objetivos paliativos de vida. Se você se perguntar porque veio ao mundo, não saberá achar uma resposta precisa. Mas, em contrapartida, se você tentar identificar a sua vocação profissional, facilmente conseguirá afirmar: "Meu sonho é ser músico, ou advogado, ou empresário". Esse plano foi criado pelo própria homem, e não por um ser superior a ele.
Isso permite que cada um consiga traçar uma missão tangível. Mas mesmo assim, os "poréns" persistem, nos enchendo de indagações. O viver não é passível de camuflagem: ele é inerte, calamitoso, inconfundível e displicente, por nos desafiar a cada via a comemorar com intensidade as conquistas, e a superar com coragem as adversidades sem explicação.
Quais são os seus poréns?
Ótimo feriado para todos!
Roberto
em Vitória, 06/09/2012.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Eu Não Sei! Só Sei Que Foi Assim!
Estou muito feliz por estar postando este texto hoje. Depois de alguns anos de letargia, o Canis Familiares está novamente no ar, em novo endereço. E o que é melhor, tenho o privilégio de ter ao meu lado os mesmos companheiros que assinavam o antigo/novo blog.
O velho Canis sofreu um grande baque, na época em que a blogger foi adquirida por uma conhecida provedora de internet. Nosso amigo Thiago Quintella se viu abruptamente impedido de acessá-lo como co - autor, enquanto que eu e Rafael Marçal curtíamos nosso especial momento de parcimônia, desapego, lentidão.
Confesso que a minha vontade de escrever foi subtraída por mim mesmo durante alguns anos de indefinição acerca do meu futuro profissional. Sabe quando a cor perde o tom, e só uma boa aquarela, recheada de boas e consistentes tintas é capaz de resgatá-la? Não né? Tudo bem, fui muito subjetivo.
Mas a dúvida persiste: Porque então o Canis parou? O que efetivamente aconteceu??
Penso que a frase - resposta que melhor resume esta retomada, é aquela que ficou marcada na boca do sonso e atrapalhado Chicó, personagem criado por Ariano Suassuna em seu romance "O Auto da Compadecida". Nós entrevistamos o pobre coitado, e o resultado foi cômico. Saboreie as doces palavras do nordestino!
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| Chicó em entrevista ao Canis |
Canis: De onde você está vindo Chicó?
Chicó: Da igreja. Eu mermo já tive um cavalo bento, e agora quero que o padre venha a benzê o cachorro do coroner! É uma santa que só!
Canis: Er... Ok, Ok! Chicó, então responda a seguinte pergunta: Porque o Canis Familiares parou por tanto tempo?
Chicó: Eu não sei... Só sei que foi assim!
| Rana: A cachorra Santa do Coronel |
Canis: Assim como Chicó? Não sei não hein? O povo diz que você é sem confiança...
Chicó: Eu??? Sem confiança?? Antônio Martinho tá aí pra dar as prova du queu digo!!
Canis: Antônio Martinho?? Mas seu amigo João Grilo disse que faz três anos que ele morreu!
Chicó: Mas eu disse a ele e repito a vocês, que Martinho era vivo quando eu tive o bicho.
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| Chicó e seu amigo João Grilo |
Canis: Quando você teve o bicho?? Foi você que pariu o tal cavalo bento Chicó?
Chicó: Eu não... Mas do jeito que as coisa vão eu não me admiro mais de nada... Mês passado uma mulhé teve um na serra do Araripe, la pros lado do Ceará! João Grilo diz que isso é coisa de seca. Ninguém pode ter minino, e haja cavalo no mundo! Comida é mais barata e é coisa que se pode vendê!
Canis: Mas agora estamos curiosos Chicó. Conte para nós e para os leitores do novo Canis: O seu cavalo Bento... como foi?
Chicó: Cavalo bom como aquele... Nunca tinha visto! Uma vez corremo atrás de uma garrota das seis da manhã até as seis da tarde, sem parar nenhum momento... Fui derrubá o boi já di noitinha!!
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| O cavalo bento de Chicó |
Canis: O Boi? Não era uma garrota?
Chicó: Er... gasp! Era uma garrota e um boi!
Canis: Hummmm... E você corria atrás dos dois juntos assim de uma vez?
Chicó: Corria! É proibido??
Canis: Não... Mas nos admira o fato de eles correrem tanto tempo juntos, sem se apartarem. Como foi isso?
Chicó: Não sei... Só sei que foi assim! Dizesseti hora ali muntado e o cavalo ali comigo, sem reclamar nada! Comecei a correr da ribeira do Taperoá na Paraíba. Pois bem, quando dei fé já tava em Sergipe! Eu juro!!
![]() |
| Chicó prestando seu juramento ao Canis |
Canis: Sergipe?? Mas como você atravessou o Rio São Francisco em um cavalo Chicó?
Chicó: Eita, mas como cêis gostam de uma pergunta... Não lhe disse que o cavalo era bento? Por isso lhe digo que não me admiro mais de nada. Cachorro bento, cavalo bento... Tudo isso eu já vi!
Canis: É... Mas não há de ser com as suas lorotas que nós vamos convencer o nosso fiel e saudoso leitor Chicó! Obrigado pela entrevista. Passar bem!
Caríssimo leitor, a partir de hoje retomamos nossa árdua tarefa de entreter por intermédio da palavra. Nossos votos são no sentido de que a prosperidade seja alcançada com simplicidade, associada à paixão pela escrita. Convidamos vocês a nos acompanhar, dia após dia, fornecendo suas valiosas opiniões, críticas e amparo! Aqui, as mentiras de Chicó servirão como mero motivo de gargalhadas!
Roberto Galluzzi
em Vitória, 10/08/2012.
Nota 1: Vídeo de referência para este post: Trecho do filme o Auto da Compadecida, disponível em http://www.youtube.com/watch?v=gFD7l0Pj4B8
Nota 2: Rana, a cahorrinha santa do Coronel, é na verdade uma simpática e bagunceira cadelinha do autor deste post. Ela se sentiu lisongeada com seu primeiro papel!
Nota 2: Rana, a cahorrinha santa do Coronel, é na verdade uma simpática e bagunceira cadelinha do autor deste post. Ela se sentiu lisongeada com seu primeiro papel!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
A história de como virei humorista
Antes de contar como virei humorista preciso contar do caminho, de tudo que me levou até a esse ponto.
Eu era um maníaco sexual, todas as minhas atitudes procuravam sexo, tudo era flerte e tudo levava-me a conquistar uma mulher.
Ou a tentar.
E enquanto eu conseguia saciar meu vício eu não notei o problema, o viagra sempre foi meu amigo e o único problema que tive foi quando eu não consegui mais arrumar mulher.
Fui numa terapeuta, fiz questão de que ela fosse mulher e bonita. O duro é que ela era competente também, me indicou um hobby e eu pedi uma sugestão:
- Cultive flores!
- Se eu virar um jardineiro, você sai comigo?
- Se você virar mulher eu talvez saia.
E ficou me olhando com aquela cara de pouco profissional...
...acho que ela também precisa de terapia.
Enfim, minha nova terapeuta era competente também. Hétero e feia, fiz questão.
- Chamou sua última terapeuta pra sair, não é?
- Ela te disse?
- Entre outras coisas... Pelo menos ela tem bom gosto.
Não consegui disfarçar uma risadinha.
- Tenho um tratamento para seu caso, um confronto radical com sua obsessão.
- Confronto radical?
- Transar além de suas forças, até enjoar...
- Mas isso pode durar dias, que mulher concordaria?
E ela fez a mesma carinha de pouco profissional da primeira terapeuta.
E contando essa história para amigos muitos riam, acabei me divertindo também e ainda arrumo umas gatas com o status de comediante.
Sabe como é, as mulheres gostam de quem as faz rir.
Eu era um maníaco sexual, todas as minhas atitudes procuravam sexo, tudo era flerte e tudo levava-me a conquistar uma mulher.
Ou a tentar.
E enquanto eu conseguia saciar meu vício eu não notei o problema, o viagra sempre foi meu amigo e o único problema que tive foi quando eu não consegui mais arrumar mulher.
Fui numa terapeuta, fiz questão de que ela fosse mulher e bonita. O duro é que ela era competente também, me indicou um hobby e eu pedi uma sugestão:
- Cultive flores!
- Se eu virar um jardineiro, você sai comigo?
- Se você virar mulher eu talvez saia.
E ficou me olhando com aquela cara de pouco profissional...
...acho que ela também precisa de terapia.
Enfim, minha nova terapeuta era competente também. Hétero e feia, fiz questão.
- Chamou sua última terapeuta pra sair, não é?
- Ela te disse?
- Entre outras coisas... Pelo menos ela tem bom gosto.
Não consegui disfarçar uma risadinha.
- Tenho um tratamento para seu caso, um confronto radical com sua obsessão.
- Confronto radical?
- Transar além de suas forças, até enjoar...
- Mas isso pode durar dias, que mulher concordaria?
E ela fez a mesma carinha de pouco profissional da primeira terapeuta.
E contando essa história para amigos muitos riam, acabei me divertindo também e ainda arrumo umas gatas com o status de comediante.
Sabe como é, as mulheres gostam de quem as faz rir.
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