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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Eu Não Sei! Só Sei Que Foi Assim!

Estou muito feliz por estar postando este texto hoje. Depois de alguns anos de letargia, o Canis Familiares está novamente no ar, em novo endereço. E o que é melhor, tenho o privilégio de ter ao meu lado os mesmos companheiros que assinavam o antigo/novo blog.

O velho Canis sofreu um grande baque, na época em que a blogger foi adquirida por uma conhecida provedora de internet. Nosso amigo Thiago Quintella se viu abruptamente impedido de acessá-lo como co - autor, enquanto que eu e Rafael Marçal curtíamos nosso especial momento de parcimônia, desapego, lentidão.

Confesso que a minha vontade de escrever foi subtraída por mim mesmo durante alguns anos de indefinição acerca do meu futuro profissional. Sabe quando a cor perde o tom, e só uma boa aquarela, recheada de boas e consistentes tintas é capaz de resgatá-la? Não né? Tudo bem, fui muito subjetivo.

Mas a dúvida persiste: Porque então o Canis parou? O que efetivamente aconteceu??

Penso que a frase - resposta que melhor resume esta retomada, é aquela que ficou marcada na boca do sonso e atrapalhado Chicó, personagem criado por Ariano Suassuna em seu romance "O Auto da Compadecida". Nós entrevistamos o pobre coitado, e o resultado foi cômico. Saboreie as doces palavras do nordestino!

Chicó em entrevista ao Canis
Canis: De onde você está vindo Chicó? 

Chicó: Da igreja. Eu mermo já tive um  cavalo bento, e agora quero que o padre venha a benzê o cachorro do coroner! É uma santa que só!

Canis: Er... Ok, Ok! Chicó, então responda a seguinte pergunta: Porque o Canis Familiares parou por tanto tempo?

Chicó: Eu não sei... Só sei que foi assim!

Rana: A cachorra Santa do Coronel
Canis: Assim como Chicó? Não sei não hein? O povo diz que você é sem confiança...

Chicó: Eu??? Sem confiança?? Antônio Martinho tá aí pra dar as prova du queu digo!!

Canis: Antônio Martinho?? Mas seu amigo João Grilo disse que faz três anos que ele morreu!

Chicó: Mas eu disse a ele e repito a vocês, que Martinho era vivo quando eu tive o bicho.

Chicó e seu amigo João Grilo
Canis: Quando você teve o bicho?? Foi você que pariu o tal cavalo bento Chicó?

Chicó: Eu não... Mas do jeito que as coisa vão eu não me admiro mais de nada... Mês passado uma mulhé teve um na serra do Araripe, la pros lado do Ceará! João Grilo diz que isso é coisa de seca. Ninguém pode ter minino, e haja cavalo no mundo! Comida é mais barata e é coisa que se pode vendê!

Canis: Mas agora estamos curiosos Chicó. Conte para nós e para os leitores do novo Canis: O seu cavalo Bento... como foi?

Chicó: Cavalo bom como aquele... Nunca tinha visto! Uma vez corremo atrás de uma garrota das seis da manhã até as seis da tarde, sem parar nenhum momento... Fui derrubá o boi já di noitinha!!

O cavalo bento de Chicó
Canis: O Boi? Não era uma garrota?

Chicó: Er... gasp!  Era uma garrota e um boi!

Canis: Hummmm... E você corria atrás dos dois juntos assim de uma vez?

Chicó: Corria! É proibido??

Canis: Não... Mas nos admira o fato de eles correrem tanto tempo juntos, sem se apartarem. Como foi isso?

Chicó: Não sei... Só sei que foi assim! Dizesseti hora ali muntado e o cavalo ali comigo, sem reclamar nada! Comecei a correr da ribeira do Taperoá na Paraíba. Pois bem, quando dei fé já tava em Sergipe!  Eu juro!!

Chicó prestando seu juramento ao Canis
Canis: Sergipe?? Mas como você atravessou o Rio São Francisco em um cavalo Chicó?

Chicó: Eita, mas como cêis gostam de uma pergunta... Não lhe disse que o cavalo era bento? Por isso lhe digo que não me admiro mais de nada. Cachorro bento, cavalo bento... Tudo isso eu já vi!

Canis: É... Mas não há de ser com as suas lorotas que nós vamos convencer o nosso fiel e saudoso leitor Chicó! Obrigado pela entrevista. Passar bem!

Caríssimo leitor, a partir de hoje retomamos nossa árdua tarefa de entreter por intermédio da palavra. Nossos votos são no sentido de que a prosperidade seja alcançada com simplicidade, associada à paixão pela escrita. Convidamos vocês a nos acompanhar, dia após dia, fornecendo suas valiosas opiniões, críticas e amparo! Aqui, as mentiras de Chicó servirão como mero motivo de gargalhadas!


Roberto Galluzzi
em Vitória, 10/08/2012.

Nota 1: Vídeo de referência para este post: Trecho do filme o Auto da Compadecida, disponível em http://www.youtube.com/watch?v=gFD7l0Pj4B8
Nota 2: Rana, a cahorrinha santa do Coronel, é na verdade uma simpática e bagunceira cadelinha do autor deste post. Ela se sentiu lisongeada com seu primeiro papel!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A história de como virei humorista

Antes de contar como virei humorista preciso contar do caminho, de tudo que me levou até a esse ponto. 

Eu era um maníaco sexual, todas as minhas atitudes procuravam sexo, tudo era flerte e tudo levava-me a conquistar uma mulher.


Ou a tentar. 

E enquanto eu conseguia saciar meu vício eu não notei o problema, o viagra sempre foi meu amigo e o único problema que tive foi quando eu não consegui mais arrumar mulher. 

Fui numa terapeuta, fiz questão de que ela fosse mulher e bonita. O duro é que ela era competente também, me indicou um hobby e eu pedi uma sugestão: 

- Cultive flores! 
- Se eu virar um jardineiro, você sai comigo? 
- Se você virar mulher eu talvez saia. 

E ficou me olhando com aquela cara de pouco profissional...


...acho que ela também precisa de terapia. 

Enfim, minha nova terapeuta era competente também. Hétero e feia, fiz questão. 

- Chamou sua última terapeuta pra sair, não é? 
- Ela te disse? 
- Entre outras coisas... Pelo menos ela tem bom gosto. 

Não consegui disfarçar uma risadinha. 

- Tenho um tratamento para seu caso, um confronto radical com sua obsessão. 
- Confronto radical? 
- Transar além de suas forças, até enjoar... 
- Mas isso pode durar dias, que mulher concordaria? 

E ela fez a mesma carinha de pouco profissional da primeira terapeuta. 

E contando essa história para amigos muitos riam, acabei me divertindo também e ainda arrumo umas gatas com o status de comediante. 

Sabe como é, as mulheres gostam de quem as faz rir.